Do altruísmo ao egoísmo

Resolvi tomar emprestada a ideia de um amigo sobre o significado de palavras com o sufixo “ismo” e tecer algumas impressões. Uma delas é o sobre o egocentrismo, ou seja, um comportamento que tem se tornado comum na sociedade contemporânea. Algumas pessoas se autodeterminam mais honestas, responsáveis e comprometidas do que outras. Mas ao mesmo tempo essas mesmas pessoas não conseguem se perceber no atual contexto socioeconômico e político, que por natureza é essencialmente coletivo, no qual as atitudes de uma pessoa refletem no bem-estar de muitas ao seu redor. Neste sentido, prevalece o egoísmo. Observo pessoas que, ao conseguirem se destacar na sociedade, atribuem suas conquistas exclusivamente aos seus próprios méritos, esforço e determinação. Será? Particularmente me sinto uma pessoa vitoriosa, venci muitos desafios, conquistei mais do que planejei, realizei muitos projetos e sonhos. No entanto, reconheço que sozinha não teria chegado onde cheguei, tive algumas mãos que ajudaram a conduzir meus passos, ideias e sugestões que me orientaram em importantes tomadas de decisão. Sou grata. Procurei desde minha infância seguir exemplos de pessoas altruístas, isto é, aprendi cedo o significado de compartilhar, contribuir, colaborar com os outros sobre o que aprendi, posso e devo socializar, com ética, responsabilidade e respeito.

Por isso mesmo assumo que sou saudosista, sinto falta dos tempos da comunicação que nos permitia um bom diálogo, conversas animadas olho no olho com base em bons argumentos, não necessariamente vencedores, assim como reconheço a validade da comunicação escrita em época “via postal”, por meio de cartas e bilhetes, que mesmo entre pessoas distantes aproximava os sentimentos. Neste tempo das redes sociais permitimos nos distanciarmos uns dos outros mesmo estando ao redor de uma pequena mesa, sala ou qualquer outro ambiente, criando um abismo que não apenas nos separa, mas nos torna solitários mesmo em boas companhias, ou seja, na comunicação virtual  os discursos são carregados de “ideologias” e se tornam monólogos, superando o diálogo.
Em síntese: os tempos modernos têm provocado abismos entre as pessoas mais pelo egoísmo e menos pelo altruísmo.

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Será ou se…

Ando a me questionar sobre o que fiz nos meus anos mais produtivos, não que durante a minha vida não tenha questionado. Se fiz muitas coisas que hoje me levam a  questionamentos é porque tomei decisões, algumas bem difíceis, por isso mesmo nesta fase de mais experiências queira encontrar argumentos para justificar minhas escolhas e idealizar resultados diferentes. Na verdade, estou querendo entender por que razão e vêm as perguntas: “será quê?” “E se…?” Ou seja, faço leituras das fases da minha vida, e fico imaginando se a atitude, o comportamento, a decisão tomada em determinada situação da minha vida profissional ou pessoal,  seria a mesma hoje? Os resultados alcançados teriam sido melhores? Ou seja: o “e se…” não me oferece possibilidades de definir o que seria melhor acerto, causa-me mais inquietude. Às vezes penso que fui ousada, às vezes inocente, em alguns casos faltaram experiência, malícia, em outros, ambição. Trabalhei muitas horas, mas necessariamente fui produtiva? Ou fui produtiva e não soube potencializar os resultados do meu trabalho? Será que fiz pouco ou não potencializei os feitos? Poderia ter feito melhor, óbvio, hoje faria. Será? Mas se eu não tivesse tomado decisões, mesmo erradas ou equivocadas,  também não tinha o que questionar, disso estou certa. Mas e se… Continuo a perguntar.

No entanto, tenho aprendido com esses questionamentos que ainda tenho uma vida cheia de escolhas e vou continuar querendo tomar a melhor decisão, aprender a encontrar respostas que me apresentem alternativas para trilhar outros caminhos, mesmo que depois da chegada me pergunte: “e se eu tivesse escolhido outro percurso?” Acredito que chegarei ao lugar que me determinar a chegar, com mais ou menos dificuldades e sucesso, mas certamente com gratidão.

Será ou se…

Ando a me questionar sobre o que fiz nos meus anos mais produtivos, não que durante a minha vida não tenha questionado. Se fiz muitas coisas que hoje me levam a fazer questionamentos é porque tomei decisões, algumas bem difíceis, por isso mesmo nesta fase de mais experiências queria encontrar argumentos para justificar minhas escolhas e idealizar resultados diferentes. Na verdade, estou querendo entender por que razão e vêm as perguntas: “será quê?” “E se…?” Ou seja, faço leituras das fases da minha vida, e fico imaginando se a atitude, o comportamento, a decisão tomada em determinada situação da minha vida profissional ou pessoal,  seria a mesma hoje? Os resultados alcançados teriam sido melhores? Ou seja: o “e se…” não me oferece possibilidades de definir o que seria melhor acerto, causa-me mais inquietude. Às vezes penso que fui ousada, às vezes inocente, em alguns casos faltaram experiência, malícia, em outros, ambição. Trabalhei muitas horas, mas necessariamente fui produtiva? Ou fui produtiva e não soube potencializar os resultados do meu trabalho? Será que fiz pouco ou não potencializei os feitos? Poderia ter feito melhor, óbvio, hoje faria. Será? Mas se eu não tivesse tomado decisões, mesmo erradas ou equivocadas,  também não tinha o que questionar, disso estou certa. Mas e se… Continuo a perguntar.

No entanto, tenho aprendido com esses questionamentos que ainda tenho uma vida cheia de escolhas e vou continuar querendo tomar a melhor decisão, aprender a encontrar respostas que me apresentem alternativas para trilhar outros caminhos, mesmo que depois da chegada me pergunte: “e se eu tivesse escolhido outro percurso?” Acredito que chegarei ao lugar que me determinar a chegar, com mais ou menos dificuldades e sucesso, mas certamente com gratidão.

Sobre ser pai

Desde criança entendo que a figura do pai é muito mais do que o que lhe foi atribuída como significado. Aprendi com o meu pai que o amor, a presença, a atenção e o zelo são mais significativos do que os laços de sangue ou de um provedor, ou seja, aquele que, muitas vezes pronuncia: “não quero que falte nada ao meu filho”. Meu pai não me deu todos os brinquedos que eu quis, não pela condição financeira, mas priorizou me ensinar a valorizar a sua companhia e fazia questão de estar por perto nos melhores e mais importantes momentos da minha vida. Ele fez isso desde minha infância até o dia em que morreu, e eu procurei retribuir com minha presença, carinho e atenção, inclusive nos seus últimos dias de vida.

Ser pai é valorizar a vida de um ser, seja filho biológico ou não, planejado ou não, que precisa de amor, de alguém que possa chamar de herói, muito mais pelos atos de atenção do que pelos de bravura. O pai é aquele que sente a presença do filho mesmo na ausência física, sente o desejo de estar junto, de ensinar e aprender, ou aprender para ensinar, percebe o que acontece em seu entorno e o que vê transforma em oportunidade de aprendizado.

Está sempre disposto a aperfeiçoar o que aprendeu para ensinar ao seu filho, porque o verdadeiro pai quer para seu filho o sucesso, a conquista, mas sabendo que é preciso ensinar a arte de lutar para vencer, com disciplina e ética. O bom pai é parceiro, aceita ser herói, mesmo reconhecendo suas fraquezas, mas por isso mesmo procurando corrigir suas falhas a tempo de não decepcionar seu filho. Pai erra na tentativa de acertar, mas não decepciona seu filho na sua forma de amar, de respeitar, de apoiar e dar sentido à vida, principalmente quanto aos princípios e valores morais. Pai é aquele que, assim como a mãe, ama incondicionalmente. O significado de ser pai deve ser se reconhecido todos os dias, pois seu filho vai tê-lo como referência para toda a vida. Pai, você será sempre o meu herói, pois me ensinou, e eu continuo aprendendo e praticando, amar.

A VIDA E O LIVRO

A vida tem, de fato, as mesmas funções dos livros: de ensinar a aprender. Para sair do convencional, me atrevo a apontar algumas particularidades para descrever as similaridades, sendo a vida o parâmetro de comparação.

A vida, assim como os livros, ensina-nos a aprender em cada uma de suas etapas. Na infância, mesmo com o desconhecimento do que é importante, correto ou moral, aprende-se a perguntar (por que isso?, por que aquilo?, mas por quê?). Mas as respostas nem sempre se encontram nas narrativas da literatura infantil (fábulas, lendas, contos e crônicas, etc.), mesmo que estas ampliem o leque de curiosidade a partir das possibilidades de respostas. Por muitas vezes os adultos também não sabem como responder os porquês das crianças e descobrem que não aprenderam o significado de muitas das curiosidades infantis e continuam procurando respostas nos livros e na vida.

Na fase da adolescência os porquês têm outras essências, cuja busca, no interior de cada ser, conduzem muitas formas de encontrar respostas para perguntas inquietantes, com perspicácia, audácia e, às vezes, com ações atrevidas, mas concebidas como próprias nessa fase da vida. Portanto, a literatura juvenil tem papel relevante para o processo de autoconhecimento do adolescente, despertando para a necessidade de este encontrar novidades potencialidades e fraquezas, ao tempo que também provoquem reflexão, maturidade. Nessa fase a leitura deve ser cativante., surpreendente, criativa e didática.

A vida na fase adulta, em que o trabalho, a família, as conquistas materiais e intelectuais dominam o campo do processo de aprendizagem significativa, se constitui em uma busca mais metódica por acertos, mesmo que alguns procedimentos conduzam a erros. Contudo há tempo para corrigir, reaprender, refazer. Nessa fase a leitura inclui livros de diversos gêneros literários e artigos, variando com o nível de curiosidade e interesse.

E na velhice? Nessa fase da vida se tem muitas respostas; algumas delas, no entanto, já perderam o sentido para o contexto, mesmo que os problemas possam apresentar configurações similares aos da fase adulta, ainda assim as leituras vão sendo remodeladas, não mais procuram respostas práticas, mas aquelas que estimulem o cérebro, promovam bem-estar, já que há mais tempo para sorver a leitura, que inclui biografias, autoajuda, religião; enfim, o que a vida permite ainda ensinar a aprender.

Conclui-se, portanto, que a vida é um livro único em que se conseguem reunir mensagens em diferentes gêneros literários.

O PALITO

Em um encontro com amigas para tomar um café a fim de celebrar a vida, uma brincadeira veio à tona: descobrir funções simbólicas para um objeto sorteado. O meu foi um palito. Juntas, encontramos alguns significados para o palito nas nossas interpretações da vida no cotidiano. Divertimo-nos.

Já em casa, ainda recordando passagens divertidas daquele fim de tarde, lembrei que o palito pode representar outros atributos. E nesse processo imaginativo fluíram várias interpretações e, diante das convergências de adjetivos para fazer a leitura do palito, percebi que a brincadeira apontava lições interessantes.

A princípio, veio à mente que o palito, por ter as pontas afiadas, entra em espaços vazios, afastando, desobstruindo o que está incomodando. Então, o palito, de forma metafórica, representa a necessidade de nos livrarmos daquilo que nos incomoda, que fica dentro de nós, como raiva, rancor, mágoa, isto é, sentimentos que interferem no humor, no sorriso.

O palito penetra, já que é pontiagudo. Assim, imagina-se que as pessoas, ao serem alfinetadas, despertam com um sobressalto, sugerindo um “ei!”, um “acorda!”. A vida requer atitude, faça alguma coisa, e assim desperte, aja e ensine ao outro sem alfinetá-lo, mas com o que aprendeu.

Com o palito levamos um petisco à boca para degustá-lo. Então, de vez em quando, é bom que se imagine sendo espetada por um palito que nos acorda para a ideia de se deliciar com as gostosuras que a vida nos oferece em vários formatos, cores e sabores.

Ah, o palito também serve para furar um objeto de material delicado, mas se assim o fez é porque a utilidade dele naquela oportunidade era transformar. Então se usa a imaginação para situações na vida, modificando a paisagem ou formato do que incomodava, criando uma imagem com diferentes apresentação e função.

Pode-se imaginar o palito, de fato, provocando incômodo (nas gengivas), assim o não uso retira a sua função de provocar reações indesejadas, sendo o momento de substituí-lo por outro objeto que executa a mesma tarefa com melhor benefício (o fio dental). Diante disso fiz a seguinte leitura: há situações ou pessoas que podem ser o palito que contamina; portanto, afaste-as de seu convívio, as substitua por outras que contribuam para o seu bem-estar.

A brincadeira, por analogia, nos remete a enxergar a vida com mais leveza, aproveitando momentos descontraídos para revisitar nosso olhar para as

Pode-se imaginar o palito, de fato, provocando incômodo (nas gengivas), assim o não uso retira a sua função de provocar reações indesejadas, sendo o momento de substituí-lo por outro objeto que executa a mesma tarefa com melhor benefício (o fio dental). Diante disso fiz a seguinte leitura: há situações ou pessoas que podem ser o palito que contamina; portanto, afaste-as de seu convívio, as substitua por outras que contribuam para o seu bem-estar.

A brincadeira, por analogia, nos remete a enxergar a vida com mais leveza, aproveitando momentos descontraídos para revisitar nosso olhar para as coisas simples, atribuindo-lhes novos significados e assim aproveitando cada momento, o presente.

Eu quero

Quero, como sempre quis
– nem mais nem menos -,
uma vida para ser feliz.

Quero do sol ver seu brilho
Da lua o prazer de admirar
Do mar quero ouvir o sonido
E do vento o seu assobiar.

Quero ver flores no jardim
Sentir o aroma do jasmim
Apreciar as flores do hibisco
E com o beija flor me encantar.

Da vida quero saber
Como faço para aprender
Não esquecer de viver
E lembrar de agradecer.

Quero ser sempre melhor
Fazer para merecer
Ter motivos para sonhar
E sonhos para realizar.

Quero continuar a ser eu
Aprender e compartilhar
Ter tempo para viver
E o desejo de amar.