A VIDA E O LIVRO

A vida tem, de fato, as mesmas funções dos livros: de ensinar a aprender. Para sair do convencional, me atrevo a apontar algumas particularidades para descrever as similaridades, sendo a vida o parâmetro de comparação.

A vida, assim como os livros, ensina-nos a aprender em cada uma de suas etapas. Na infância, mesmo com o desconhecimento do que é importante, correto ou moral, aprende-se a perguntar (por que isso?, por que aquilo?, mas por quê?). Mas as respostas nem sempre se encontram nas narrativas da literatura infantil (fábulas, lendas, contos e crônicas, etc.), mesmo que estas ampliem o leque de curiosidade a partir das possibilidades de respostas. Por muitas vezes os adultos também não sabem como responder os porquês das crianças e descobrem que não aprenderam o significado de muitas das curiosidades infantis e continuam procurando respostas nos livros e na vida.

Na fase da adolescência os porquês têm outras essências, cuja busca, no interior de cada ser, conduzem muitas formas de encontrar respostas para perguntas inquietantes, com perspicácia, audácia e, às vezes, com ações atrevidas, mas concebidas como próprias nessa fase da vida. Portanto, a literatura juvenil tem papel relevante para o processo de autoconhecimento do adolescente, despertando para a necessidade de este encontrar novidades potencialidades e fraquezas, ao tempo que também provoquem reflexão, maturidade. Nessa fase a leitura deve ser cativante., surpreendente, criativa e didática.

A vida na fase adulta, em que o trabalho, a família, as conquistas materiais e intelectuais dominam o campo do processo de aprendizagem significativa, se constitui em uma busca mais metódica por acertos, mesmo que alguns procedimentos conduzam a erros. Contudo há tempo para corrigir, reaprender, refazer. Nessa fase a leitura inclui livros de diversos gêneros literários e artigos, variando com o nível de curiosidade e interesse.

E na velhice? Nessa fase da vida se tem muitas respostas; algumas delas, no entanto, já perderam o sentido para o contexto, mesmo que os problemas possam apresentar configurações similares aos da fase adulta, ainda assim as leituras vão sendo remodeladas, não mais procuram respostas práticas, mas aquelas que estimulem o cérebro, promovam bem-estar, já que há mais tempo para sorver a leitura, que inclui biografias, autoajuda, religião; enfim, o que a vida permite ainda ensinar a aprender.

Conclui-se, portanto, que a vida é um livro único em que se conseguem reunir mensagens em diferentes gêneros literários.

Anúncios

O PALITO

Em um encontro com amigas para tomar um café a fim de celebrar a vida, uma brincadeira veio à tona: descobrir funções simbólicas para um objeto sorteado. O meu foi um palito. Juntas, encontramos alguns significados para o palito nas nossas interpretações da vida no cotidiano. Divertimo-nos.

Já em casa, ainda recordando passagens divertidas daquele fim de tarde, lembrei que o palito pode representar outros atributos. E nesse processo imaginativo fluíram várias interpretações e, diante das convergências de adjetivos para fazer a leitura do palito, percebi que a brincadeira apontava lições interessantes.

A princípio, veio à mente que o palito, por ter as pontas afiadas, entra em espaços vazios, afastando, desobstruindo o que está incomodando. Então, o palito, de forma metafórica, representa a necessidade de nos livrarmos daquilo que nos incomoda, que fica dentro de nós, como raiva, rancor, mágoa, isto é, sentimentos que interferem no humor, no sorriso.

O palito penetra, já que é pontiagudo. Assim, imagina-se que as pessoas, ao serem alfinetadas, despertam com um sobressalto, sugerindo um “ei!”, um “acorda!”. A vida requer atitude, faça alguma coisa, e assim desperte, aja e ensine ao outro sem alfinetá-lo, mas com o que aprendeu.

Com o palito levamos um petisco à boca para degustá-lo. Então, de vez em quando, é bom que se imagine sendo espetada por um palito que nos acorda para a ideia de se deliciar com as gostosuras que a vida nos oferece em vários formatos, cores e sabores.

Ah, o palito também serve para furar um objeto de material delicado, mas se assim o fez é porque a utilidade dele naquela oportunidade era transformar. Então se usa a imaginação para situações na vida, modificando a paisagem ou formato do que incomodava, criando uma imagem com diferentes apresentação e função.

Pode-se imaginar o palito, de fato, provocando incômodo (nas gengivas), assim o não uso retira a sua função de provocar reações indesejadas, sendo o momento de substituí-lo por outro objeto que executa a mesma tarefa com melhor benefício (o fio dental). Diante disso fiz a seguinte leitura: há situações ou pessoas que podem ser o palito que contamina; portanto, afaste-as de seu convívio, as substitua por outras que contribuam para o seu bem-estar.

A brincadeira, por analogia, nos remete a enxergar a vida com mais leveza, aproveitando momentos descontraídos para revisitar nosso olhar para as

Pode-se imaginar o palito, de fato, provocando incômodo (nas gengivas), assim o não uso retira a sua função de provocar reações indesejadas, sendo o momento de substituí-lo por outro objeto que executa a mesma tarefa com melhor benefício (o fio dental). Diante disso fiz a seguinte leitura: há situações ou pessoas que podem ser o palito que contamina; portanto, afaste-as de seu convívio, as substitua por outras que contribuam para o seu bem-estar.

A brincadeira, por analogia, nos remete a enxergar a vida com mais leveza, aproveitando momentos descontraídos para revisitar nosso olhar para as coisas simples, atribuindo-lhes novos significados e assim aproveitando cada momento, o presente.

Eu quero

Quero, como sempre quis
– nem mais nem menos -,
uma vida para ser feliz.

Quero do sol ver seu brilho
Da lua o prazer de admirar
Do mar quero ouvir o sonido
E do vento o seu assobiar.

Quero ver flores no jardim
Sentir o aroma do jasmim
Apreciar as flores do hibisco
E com o beija flor me encantar.

Da vida quero saber
Como faço para aprender
Não esquecer de viver
E lembrar de agradecer.

Quero ser sempre melhor
Fazer para merecer
Ter motivos para sonhar
E sonhos para realizar.

Quero continuar a ser eu
Aprender e compartilhar
Ter tempo para viver
E o desejo de amar.

VIDA É AMOR

Vivo a vida com amor
Com amor construo pontes
Pelas pontes da vida caminho
E nelas encontro os amores

Com amor faço laços
Aprendi que eles enlaçam
E, sem apertar ou prender,
Aconchegam meu abraço

Sinto cheiro de amor
No perfume da flor
Vou seguindo meu caminho
Trilhando sem medo da dor

A vida me ensinou
Aprendi vivendo assim…
A vida me cativou
Aprendi o que é o amor.

SOU ASSIM

Tenho pressa de viver, mas não quero morrer agora. Então, por que a pressa?

Quero perfeição, mas reconheço que sendo humana não poderei ser perfeita, pois faltaria o sentido de humano de um ser imperfeito, inacabado, pois quando acaba a busca, morre-se.

Sou incompleta porque senão o processo de aperfeiçoamento e aprendizagem não será contínuo e sistemático.

Penso para o hoje, mas também para o amanhã, o passado ficou lá atrás, parte dele não quero de volta, em outras coisas quero melhorar, fazendo-as de forma diferente.

Sou feliz porque estou viva, isto é motivo para reconhecer que a felicidade é abstrata, de concreto temos a vida como ela é, aquela que se constrói e reconstrói com as ferramentas que se adquirem no dia a dia.

Tenho saúde, mas às vezes me sinto ou fico doente, busco a cura, ser e me manter saudável é condição de escolha, de decisão, às vezes de renúncia, sacrifícios e esforços.

Sou inquieta, e nessa inquietude partilhei muitas experiências, conheci e morei em diferentes cidades e estados brasileiros, assim me descobri e redescobri em situações simples e, em outras, complexas, mas em cada uma delas encontrei motivos para aprender.

Reconheço-me impulsiva, às vezes cautelosa, ambas situações me causam perdas e ganhos, tive oportunidades em que alcancei a sela do cavalo; noutras, perdi o momento “certo”, mas continuei na estrada da vida, atenta às novas possibilidades…

Sou tímida, sento no fundo da sala, mas já pisei em muitos palcos da vida com determinação e desenvoltura, busco a segurança e o equilíbrio, sei que são essenciais.

Na maioria das vezes me sinto corajosa, capaz de enfrentar e vencer desafios, no entanto, sou medrosa, tenho medo da solidão, principalmente a desacompanhada.

Acredito, tenho Fé, mas sou meio São Tomé, espero as coisas acontecerem para crer.

Confio nas pessoas desconfiando, pois podem haver mudanças no percurso, mesmo que o lado bom da credibilidade também exista, mas me permito reconhecer que as falhas humanas são inevitáveis.

Sou assim, ainda em processo, mas me sinto bem, com muitas dúvidas, perguntas sem respostas, preciso de mais tempo para encontrá-las, mesmo que provisórias.

AS PESSOAS E SUAS ESSÊNCIAS

“O essencial é invisível aos olhos”.
             (Antoine de Saint-Exupéry).

Pessoa, gente, indivíduo, criatura são referências ao ser humano, portanto cada um é dono de personalidade ímpar, com qualidades, virtudes e
defeitos, moldada segundo os pilares de sua gênese.

Aprendemos desde criança que devemos respeitar as individualidades com que cada pessoa pensa e age de acordo com sua noção de certo/errado, moral ou imoral, bom/ruim, bonito/feio… sendo que o que a define é a base de suas convicções definidas/construídas por princípios éticos e de referência moral.

Simples, conceitualmente, esperamos ou desejamos que as pessoas ajam com respeito, mas na prática… Há tendência de as pessoas, muitas vezes, definirem as outras pelo que elas aparentam ser, como elegantes e educadas pelo visual, às vezes se atribui até nível de felicidade, geralmente medido pelo ter, assim – fulano é muito feliz, tem isso, mais aquilo –, esquecendo que o ser humano é incompleto, imperfeito.

Existem pessoas que são elegantes nos gestos, na postura, no trato com as outras, respeitando as faixas etárias ou nível socioeducacional. Observo com carinho as pessoas que se curvam diante de uma pessoa idosa em sinal de respeito, que se abaixam para falar com uma criança, que usam a linguagem adequada para manter interlocução com pessoas não letradas, surdas…

Particularmente, aprendi que há pessoas bonitas porque são humildes, solidárias, inteligentes, que têm um bom caráter, mesmo sem padrões estéticos definidos a priori. Há beleza em pessoas de estatura alta, mediana e abaixo de 1,50cm, mas são pessoas competentes, que pensam e agem, geralmente, em prol do bem-estar da sociedade.

Admiro pessoas educadas, cordiais e simpáticas, que expressam sorrisos sinceros com delicadeza e afeto. Apaixono-me por aquelas que sabem olhar, que não apenas veem, os que enxergam a natureza das coisas como elas são e não como pensam que deveriam ser; as que percebem detalhes, destacando o belo, o inusitado, o essencial.

Aplaudo as pessoas de caráter porque são honestas, éticas e comprometidas com o que está afeito ao convívio em sociedade, que têm prazer em zelar pelo que é público, o que entendo como forma legítima de compartilhar responsabilidades e ser cidadãs.

Reverencio as pessoas que não julgam os outros, respeitam e reconhecem os limites de cada ser, aprendem com a vida que os seres humanos são inacabados, em contínuo processo de aperfeiçoamento, e reconheço que as pessoas boas, de fato, usam sua capacidade de escolha e decisão para serem melhores, para si e para os outros.

Amo as pessoas que vivem o hoje, com tempo para contemplar o essencial.

ESCOLA E FAMÍLIA: QUAL O PAPEL?

Na condição de mãe e professora, muitas vezes sou questionada sobre qual é o papel da escola e da família na educação das crianças da sociedade atual. O que me remete a pensar que há algumas décadas, isto no século XX, era do conhecimento de ambas as instituições o que cada uma fazia na atividade de educar/ensinar.

Para responder ou encaminhar o diálogo, geralmente pergunto qual é o seu conceito de família, já que há compreensões e aceitações diversas do que se constitui família na sociedade contemporânea.

Na minha compreensão, assumo a definição de família como um grupo de pessoas com algum tipo de parentesco (natural ou adquirido) que se amam e se respeitam, que vivem na mesma casa, ou não, perto ou longe, mesmo assim mantêm relação de afeto, compreensão e apoio, quando necessário. Exemplo: minha família.

Pela instituição formal “escola” uso a definição de um ambiente onde a criança vai ser acolhida por pessoas (professores, gestores e pessoal de apoio) que, usando de meios (aulas, brincadeiras e outras atividades escolares, esportivas e culturais), irão participar do seu desenvolvimento, oferecendo formação intelectual e preparando-a para o exercício da cidadania.

Com base nessas definições, procuro entender os papéis de cada uma dessas instituições no processo de educar/ensinar.

Assim, com esse entendimento, o papel da família é, em primeiro lugar, cuidar, com zelo e afeto, carinho, atenção e amor, dedicando tempo para partilhar com a(s) criança(s) as lições necessárias para a vida em sociedade, como: respeito, solidariedade, amizade, justiça e ética, ou seja, virtudes que cobramos da sociedade.

Acrescento ainda que é no ambiente familiar que se deve ensinar sobre limites e possibilidades, mostrar com exemplos a importância do sim e do não, da diferença entre autoridade e autonomia, e explicar o que significam direitos e deveres.

Dito com outras palavras, é papel da família educar com base em princípios da ética e da moral.

Já o papel da escola é firmar esses valores, acolher as crianças, acompanhá-las nos diferentes estágios de desenvolvimento, desde a fase de alfabetização no tempo e idade certa, ensiná-las os conteúdos básicos de cada uma das matérias do currículo escolar, usando métodos compatíveis com o conteúdo e contexto do saber.

Portanto, o papel da escola é ensinar a aprender e a desenvolver competências e habilidades, que se transformam em curiosidades num processo contínuo e sistemático de aperfeiçoamento.