HAVERÁ UM NOVO DIA!

Os dias são iguais apenas na duração do tempo convencional, já que a forma como nós vivemos e sentimos é imprevisível.

Há dias em que acordamos alegres e confiamos que vamos seguir o que está na agenda, mas, por algum imprevisto, não conseguimos realizar nada do que havíamos planejado.

Há dias em que, mesmo o sol brilhando lá fora, ele vai estar nublado e carrancudo, para alguns. E há dias em que, muitos darão graças, porque foram maravilhosos. É assim a vida. Por mais que a planejemos, as incertezas mudam as rotas, entretanto, o que não deve mudar nunca são os nossos propósitos.

Portanto, tem aqueles dias que vamos dormir querendo que o amanhã seja diferente, que possamos conseguir respostas para algumas indagações. Por exemplo: quando as pessoas vão começar a olhar umas para outras com empatia? Quando, nesse mundo individualista, vai haver aqueles que agirão com mais complacência? É bom que nos lembremos que há quem não tem nada, nem sequer esperança, contudo, é gente como nós, às vezes esperando uma palavra, um gesto, apenas isso.

Queria que alguém me respondesse: por que o outro não age comigo da mesma forma que gostaria que eu agisse com ele? Por que só posso dar se antes eu receber? Por que as pessoas confundem retribuir com merecer?

Particularmente, acho que reconhecer é saber que o outro, ao fazer algo, sente prazer, gosta, esmera-se em agradar, mas sem esperar nada em troca. Confunde-se, muitas vezes, um gesto concreto de reconhecimento por merecimento, apenas como gratidão, esquecendo que, o verdadeiro reconhecimento não tem preço, e sim, um valor inestimável.

Ah, dar presentes pode ser apenas um gesto de agradecer, de lembrar, de convenção. Estar, no entanto, presente na vida de uma pessoa é o que, de fato, faz diferença e sentido, já que permanece registrado na memória, e não apenas guardado como lembrança em uma gaveta ou armário.

Obviamente, reconheço que fomos orientados a retribuir e, talvez, por isso, muitas vezes nos decepcionamos, geramos expectativas, e as possibilidades de frustrações são maiores do que quando apenas construímos perspectivas.

Por isso, continuo acreditando que amanhã será um novo dia e, mesmo diante das imprevisibilidades, resta-me a esperança de que haja pessoas melhores que podem, efetivamente, transformar os dias e a vida de muitas outras, simplesmente com um sincero e sorridente “bom dia!”

Fim de tarde

A CASA ONDE NASCI

Revirando meus guardados encontrei uma fotografia da casa onde nasci. Ela ficava recuada da estradinha que fazia a ligação entre os sítios da zona rural, do lado leste do Município de Portalegre/RN.

A casa não era grande, também não tinha varanda, mas tinha janelas em todos os seus confortáveis cômodos e por elas se ouvia os cantos dos bem-te-vis, canários, rolinhas…

Quando de lá saí, fui residir na cidade, deixando um dos meus tios maternos morando nela. Isso foi bom, porque isso me deu razões para visitá-la, sempre que sentia saudades.

Morei lá poucos anos, é verdade, porém o fato é que foi nela que fui gerada e nasci, chorei e dei meus primeiros sorrisos, balbuciei minhas primeiras palavras e dei meus primeiros passos.

Como esquecer de um lugar assim? Ainda mais por reconhecer que minhas origens vem daquela solo fértil, onde reinava uma natureza sadia, capaz de produzir parte do sustento da família e desfrutar dos cantos e encantos daquele lindo lugar, onde se ouvia a sinfonia de pássaros, dos lindos nascer e pôr de sol, das noites de céu estrelado; enfim, das belezas naturais e de uma vida tranquila.

Foi naquele solo que eu cultivei minhas virtudes, comecei a valorizar a dádiva da vida, porque lá, naquele lugar, havia água, terra, ar puro, frutos e sementes, onde[1] “em se plantando, tudo dá”.

Assim, aprendi a cuidar, plantar, semear, cultivar aquilo que nos alimenta e nos faz bem.

Vem de lá a habilidade de colher, com sabedoria, aquilo que aprendi e, com sapiência, não esqueci. Sou o que me fiz e que me permito ser: simples, cheia de esperança, alegre e leve.

casa que nasci

[1] Carta de Pero Vaz de Caminha – 1500.

SOU ASSIM …

Um dia desses me dei conta que se me fizessem um tipo de questionário, daqueles que os jornalistas gostam de brincar com os entrevistados, ficaria em uma “saia justa”, pois não tenho preferência ou opção para a maioria das perguntas.

Particularmente, não acho que tenha que ter um livro e um autor preferidos, ou que essas escolhas sinalizem minha expressão de cultura literária. Identifico-me com o autor a partir do que ele escreve, do tema e do contexto. Com base nessa percepção, admiro vários escritores, em diferentes áreas do conhecimento e estilos literários. Vou somando os novos aos antigos.

Também não tenho uma música que defina meu gosto musical, até porque gosto de vários estilos. Há músicas que me trazem boas recordações, é fato, mas não elejo uma em especial, porque cada momento de minha vida é único. Da mesma forma, não tenho um artista predileto, vou mudando de ideia com o tempo. Acho que vou aperfeiçoamento meu gosto no mundo das artes.

Para me incluir na “normalidade”, destaco alguns ídolos, especialmente, na área dos esportes: Ayrton Sena (automobilismo), Guga (tênis), Daiane e Diego Hipólito (na ginástica); ou seja, brasileiros que acompanhei suas trajetórias. Em nível mundial, idem, admiro aqueles que lutaram por uma sociedade mais humanitária.

Contudo, tem outras coisinhas que também não tenho preferências, tipo: uma cor. Escolho a que combina com o meu estado de espírito. Gosto de branco para usar às sextas-feiras; vermelho para as noites ou os dias em que estou entusiasmada; verde, amarelo, azul, laranja, para compor os looks. O preto me fascina, porém não gosto de usar durante o dia. Ah, essa cor não gosto nem para carro, nem para pintá-la em paredes… e por aí vai.

Quanto ao perfume, escolho aquele que me envolve, desde que não seja doce, prefiro as fragrâncias amadeiradas. Também não tenho um estilo de roupa e calçado, gosto de me sentir confortável, adequada ao ambiente, não sigo moda.

Quanto aos números, mais difícil ainda. Disseram-me, quando ainda era criança, que meu número de sorte é o quatro, só que ainda não o testei: quando vou jogar uso os números oito, vinte e sete, vinte e oito e cinquenta e sete, por razões óbvias: são datas de nascimento de quem amo. Ah, também não faço diferença entre números ímpares ou pares, no entanto, o 13 pode ser uma escolha, sem superstição.

Já quanto ao prato predileto, gosto mesmo é de boa comida, simples ou sofisticada, o que influencia minha escolha é: o lugar, pois adoro provar comidas típicas, e a companhia. Ou seja, a ocasião e o ambiente são influenciadores do meu paladar, portanto, independe se é em um restaurante fino ou em um boteco. Gosto mesmo é de comer bem, inclusive, uma comida simples.

Gosto de filmes de drama, entretanto assisto outros gêneros, assim como, também não tenho um único que me marcou, há vários, e por diferentes motivos. Idem para praia, campo ou vida urbana, gosto de viver intensamente, com emoção e simplicidade.

Gosto de ficar sozinha, para conversar, em alguns momentos, comigo mesma: sou fã da minha companhia, mas adoro um bom papo com amigos, excetuando discutir política, religião e ideologia. Ah, de preferência, nessas rodas de amigos, que sejam servidos drinks, podendo ser até café… e se for com teor alcoólico, aí vai depender do clima e do ambiente, da hora, do evento. Desta forma, vinho, cerveja, caipirinha… todos caem muito bem. Na verdade, o que eu prefiro mesmo é estar (ficar) alegre, divertir-me e sorrir para a vida.

Então… será que sou um caso à parte? Não sei, vou continuar eclética, mas tenho personalidade, ah se tenho! Olha, não pensem que sou só durona… na maioria das vezes sou carismática, gosto de cativar amigos, amores e cultivar sorrisos.

Sou assim

A pandemia fez mudar a minha vida, a sua …

Na virada do ano de 2019-2020 todos nós, especialmente os brasileiros, esperávamos por mudanças positivas, havia perspectivas, é fato.

Particularmente, havia programado a viagem dos meus sonhos pela França, Itália e Portugal, ocasião na qual, também, celebraríamos o aniversário de um amigo. A pandemia, no entanto, interrompeu, temporariamente.

Até aí tudo bem, já que replanejar sonhos e festas é um exercício natural para muitos.

Contudo, o que não deve ser natural é como uma epidemia, que se transformou em pandemia, tornou-se um caos em tão pouco tempo, afetando a vida da sociedade mundial. O vírus surgiu de forma tão rápida e com tamanha intensidade e poder de contaminação, que até mesmo os históricos de outras doenças transmitidas por vírus, tornaram-se poucos efetivos para a tomada de decisões e estratégias de prevenção e cura.

O número de vidas ceifadas, em pouco tempo e quase no mundo todo, mudou radicalmente o comportamento da sociedade em vários aspectos, desde conviver com o isolamento social, as novas formas de consumo, os ajustes econômicos, enfim, as diferentes maneiras de conviver com uma crise, sem precedentes na história, pois além de um problema de saneamento, convivemos com a insensatez nos campos políticos e da ética, em proporções desmedidas e inesperadas.

Essa pandemia chegou para revelar o que muitos fingiam não ver. Foi um grito para que todos pudessem escutar, a vida é um sopro! Faça, portanto, ela valer a pena.

Serviu, (in)felizmente, para mostrar que todos os seres humanos podem ser atingidos por vírus, independente de quem pode comprar um hospital e todas as vagas de UTI, contratar pessoalmente médicos especialistas, equipes competentes. O dinheiro ou fama não é capaz de comprar, ou garantir, o ar que precisamos para respirar.

Morreram, e ainda estão morrendo, infelizmente, ricos e pobres, invisíveis e celebridades.

Antes que termine essa pandemia, já se pode perceber quantas coisas mudaram. Para uns, quase nada: continuam em casa, recebendo seu salário, fazendo suas compras, assistindo seus programas preferido na TV, as lives de seus artista preferidos….Ah, o que mudou? Podemos, por exemplo, pedir comida, bebidas e remédios, tudo delivery, de maneira cômoda, sem engarrafamentos, nem filas, sem pegar em dinheiro, se assim preferir.

Para algumas famílias mudou a consciência de paternidade, passando os pais a assumirem a obrigação que havia deixado de ser sua, a de educar os filhos, pois essa tarefa tinha sido transferida para a escola.

Muitas pessoas tiveram o incômodo de ficarem em suas próprias casas, assumirem tarefas domésticas, aprenderem a cozinhar, lavar e organizar suas próprias roupas. Outras, se queixam de terem interrompidas suas atividades sociais, atividades físicas e nem pensam que muitas não faziam e continuam não fazendo essas atividades porque já tinham limitações, no entanto não eram vistas, pouco importavam/importam as estatísticas.

Na minha percepção, o que mais impacta de verdade, são as ausências definitivas de entes queridos, sem despedidas, sem homenagens merecidas. Impacta, negativamente, também, a economia, as milhares de pessoas e famílias desempregadas, sem teto, sem comida e muitos, sem esperança. Impacta o social, o descontentamento com a vida, o semblante de quem já não mais sorrir, de quem perdeu a Fé.

Foram, e serão tantas mudanças, que se tornam impossíveis, no atual estágio, de se preverem em quais sentidos e em quais dimensões. Sabe-se apenas que haverá aqueles que aprenderam a lição, que mudaram para melhor, outros, provavelmente, mudarão suas posturas, tornar-se-ão pessoas mais complacentes, outras não, permanecerão pobres seres humanos, sem empatia, fazendo crer na máxima – Que é na crise que surgem as oportunidades, mas, infelizmente, não há oportunidades para todos em termos de igualdade.

Eu mudei, fiquei mais cuidadosa com os meus hábitos de higiene e, cada dia que passa, sinto-me mais comprometida com o próximo.

Refiz, além disso, meus planejamentos, aperfeiçoei meus sonhos, tornei mais reais meus objetivos.

Espero, quem sabe, depois da pandemia, possa contagiar mais pessoas com a minha energia e passe a viver cada dia melhor, e em perfeita harmonia numa sociedade aperfeiçoada.

Pandemia 3

A VIDA EM PLANO

Ela caminha todos os dias, perfazendo seu roteiro habitual. Mas, hoje, o seu itinerário foi diferente, pois a ele foi adicionado algo que veio direto do seu mais íntimo ser: a percepção.

Ela, ao passar pelo parquinho da sua praça preferida, encantou-se diante dos sorrisos e das algazarras de algumas crianças que lá estavam. Pensou: a vida é bela.

Leve, diante do que pensara, seguiu seu trajeto e, mais adiante, encontrou três jovens que externavam suas alegrias, vestidos que estavam, de esperanças. Falavam alto, com passos firmes. Refletiu: a vida é presente. Vivamos!

Ainda havia alguns metros para ela andar e, na esquina de seus pensamentos, cruzou com um casal que, pelo tom de voz, e sorrisos cúmplices, trocavam confidências. Desviou, discretamente, seu olhar. Ajuizou: viva o amor.

E continuou, mais alegre do que nunca, pela avenida afora, agora com passos apressados. Mais na frente, tropeçou sobre seus passos. Um senhor de cabelos brancos, e olhos cheios de ternura, a segurou. Com voz suave, e sabedoria, disse-lhe: Cuidado! Por que a pressa? Vá devagar, pois devagar se vai mais longe e chega-se em qualquer lugar. E, olhando-a, continuou: Escute senhora, a vida nem sempre nos leva por caminhos planos. Porém, cabe a nós aplainarmos a nossa estrada da vida. E concluiu: então, simplesmente, viva!

Ela seguiu o seu caminho e, refletindo, filosofou: é, devo admitir, a vida é bela! Viva o presente! Viva o amor! Simplesmente, viva!

Ieda caminhando

LEITURAS

Lá está ela, todas as tardes.

Naquelas tardes de sol,

Naquele bosque,

sempre no mesmo banco

ao lado do canteiro com flores,

rosas, jasmins e alfazemas.

Parece ser seu lugar preferido.

É o meu também, no outro banco.

No lago a nossa frente,

os gansos fazem festa,

as pessoas caminham nas alamedas,

as crianças brincam na grama,

as borboletas e os pássaros bailam,

a brisa gostosa do final da tarde

afaga seus sedosos cabelos

e faz um carinho em meu rosto.

É o cenário perfeito para a minha

contemplação e devaneio diários.

Ela lê um livro, depois faz uma pausa,

olha, em seguida, a paisagem.

E eu, de cá, a observo, discretamente,

querendo adivinhar o seu pensar:

– O que será que ela lê?

– Que leitura ela faz do livro que lê?

– E o que vê nesse lugar?

– O que será?

Eu, de cá, a observo mais uma vez

e faço as minhas leituras poéticas…

flores e eu

EMPATIA

A vida tem me presenteado com gratas surpresas, especialmente, aquelas que me remetem as boas recordações e que me faz querer revivê-las, mesmo que seja em outro formato.

Assim foi um de meus dias nesta semana. Tive duas alegrias, sendo uma, o contato de um ex-aluno de mestrado que, na defesa de sua tese, fui convidada para assisti-la. Por sinal, ele a fez com brilhantismo.

Pois bem, tivemos um bom papo virtual, cujo tema foi o que mais me fascina e instiga: a qualidade da Educação na era do conhecimento. Sim, estou aposentada, mas me mantenho ativa no desejo de participar, de contribuir com mudanças efetivas nos resultados que sinalizem avanços, e não retrocessos na educação, um quadro que, infelizmente, é o que se tem visto nos últimos anos. Os indicadores das avaliações do sistema educacional brasileiro apontam fragilidades nos processos de ensino e aprendizagem.

Mas, voltando ao bom diálogo com meu colega… Sim, ele agora é professor e, assim como eu, aposta em novas metodologias que possam criar empatia com os alunos. Coincidentemente, nós as julgamos necessárias no processo de ensinar e aprender. Não é fácil cativar alunos para boas leituras na busca por conhecimentos, principalmente, nestes tempos em que as tecnologias incentivam a busca rápida e fácil por informações, simplesmente.

Como foi enriquecedor nossa troca de experiências! De um lado, um jovem com o entusiasmo peculiar de quem se encontra diante de um novo desafio e, do outro lado, eu, com toda a experiência, segundo ele, digna de ser sua referência, cujos conhecimentos e métodos foram importantes no seu processo ensino-aprendizagem.

Ah! Como fiquei contente ao ouvir isso. Confirmei que vale a pena fazer o que se gosta, com compromisso, pois colhemos alegrias como essa que senti. Pensei: como é bom ver reconhecido os nossos esforços, porém, melhor ainda é saber que outra pessoa tem os mesmos propósitos, ou seja, o compromisso com a missão de partilhar conhecimentos e querer fazê-lo, comprometido que está, em obter os melhores resultados.

Obrigada meu caro João Paulo.

Jão Paulo Defesa e eu

ELA É ASSIM, DO SEU JEITO

Sim, ela é especial e delicada como uma flor. É sincera até demais, cativando os que têm sensibilidade, especialmente os seus sobrinhos. Ama do seu jeito e se expressa de uma forma particular. Tem a sua própria maneira de não precisar se manifestar, mas, certamente, tem o seu modo de sentir e de ser.

Mesmo já sendo uma pessoa adulta, muito inteligente e culta, ainda carrega o costume de menina e, talvez por isso mesmo, quando queremos nos referir a ela sobre esse detalhe, carinhosamente dizemos: – Essa menina não muda, continua do mesmo modelo. Mas, porque querer que ela mude?

Por vezes elogiamos seu modo discreto, calado e simples de ser. Mas, por vezes, aborrecemo-nos com sua inclinação de ser avessa a eventos sociais, principalmente festas noturnas e que varem a noite, assim como não participa de conversas ditas “fúteis”; enfim, coisas que a maioria das pessoas acha que se deve gostar. Mas ela não gosta, então vamos respeitar. Simples assim.

É fato: ela é desajeitada para algumas coisas, entretanto, o mais importante é que está sempre disponível, basta pedir, porém, de tanto ser boa, às vezes passa a ser “boazinha” demais… É uma outra característica dela: não muda, e acho que não mudará.

Pense em uma pessoa doce, meiga, sorriso angelical, desde pequenina! Já nasceu assim, desafiando as regras ditadas pelos homens. Quando do seu nascimento, não esperou uma vaga na sala de parto, quis vir ao mundo ali mesmo no local onde eu a estava esperando, em um quarto coletivo da maternidade. Com a divina graça passou, no exato momento, um médico pelo corredor, na sua troca de plantão, e fez o parto. Nasceu, assim, aquela menina saudável, sendo a quarta de minhas crias.

Amamentá-la era um momento de puro prazer, pois ela fitava nos meus olhos, acariciava-me com suas mãozinhas, como se estivesse agradecendo aquele prazer de saciar sua fome. Aqueles momentos eram sublimes, para nós duas. Em seguida, ela dormia tranquila, serena e, quando acordava, ficava ali no seu berço, quietinha, balbuciando até que eu fosse ao seu encontro, pegá-la no colo, trocar sua fralda e, mais uma vez, amamentá-la. Lembro-me, com carinho, da hora do banho, de envolvê-la em meus braços para pegar o sol da manhã e para o passeio, na calçada, nos finais de tardes. Cuidar dela era uma rotina gostosa.

Tranquilos foram os seus primeiros aninhos de vida: a fase de andar, de começar as descobertas pelas brincadeiras, de desenvolver-se. É certo que a fala demorou um pouco, até ir para a escola, aos quatro anos e, em contato com outras crianças, a fala logo fluiu, mas ela continuou com mesma doçura que ainda hoje lhe é peculiar, uma das marcantes características de sua personalidade.

Das minhas filhas, é a que mais se parece com a avó, que ela não conheceu; no entanto, de tanto se falar sobre as semelhanças entre elas, a minha princesa costuma dizer: – queria ter conhecido minha vó. De fato, quem sabe, ela teria adquirido – mais ainda – o jeito alegre e cativante de minha mãe, a sua discrição e, ao mesmo tempo, a facilidade que ela tinha em fazer amigos. Tenho certeza de que a admiração seria mútua.

A minha, a nossa Kaliana Jacqueline é uma leitora compulsiva, adora livros e filmes, suas diversões preferidas. Gosta de ouvir, sozinha, boa música, e de ficar no seu quarto com seu computador, fazendo o que gosta, lendo e pesquisando.

Formou-se em Fisioterapia, fez pós-graduação e, naquilo que se dedica, faz com zelo. Tem dificuldade de arranjar um emprego, pois sua introspecção se tornou um empecilho para o mercado de trabalho competitivo. Assim sua melhor opção é trabalhar home care.

Minha pequena, não é apenas a minha filha caçula, é companheira de todas as horas. É parceira, motorista, a tia querida, a irmã disponível, uma amiga fiel e, o mais importante de tudo: uma pessoa cujo sorriso cativa aqueles que a conhecem, pois é, sem sombra de dúvida, uma pessoa do bem, admirável pela sua paciência e humildade.

Que Nossa Senhora a abençoe e guie seus passos, conduzindo-a para uma vida longa e feliz.

KK

AQUELA MENINA MEIGA, HOJE É…

Sabe aquela menina magricela, moreninha, cabelo loirinho e pernas fininhas, que lhe rendeu um apelido de sibita[1]? Mas ela não se incomodava com isso. Mesmo magrinha era graciosa, um rostinho lindo e, para realçar sua candura, faz uma covinha, do lado esquerdo do rosto, quando ri, e é dona de uma expressão facial encantadora.

Essa menina foi crescendo, porém continuou magricela, linda e faceira. Desde criança uma de suas virtudes era a discrição, e também não gostava de falar muito, mesmo assim tinha muitas amigas… com um adendo: sempre soube cativar suas amizades, e é daquelas pessoas que marca reencontro, anos depois, para relembrar os bons tempos de criança, adolescente ou de faculdade. Admiro-a, também, por isso.

A menina “meiguinha”, como apelidou seu pai, brincou muito na sua infância, mas, mesmo sendo cuidadosa, passou por alguns contratempos de cortes e queimaduras, no entanto, nem isso abalava seu comportamento calmo, tranquilo e forte. Ressalto que a sua fase de adolescente foi, digamos, tranquila, sem muita rebeldia. Somente às vezes batia com força a porta do banheiro, quando era contrariada. Desde que foi alfabetizada despertou o interesse pela leitura, a começar pelos gibis, depois passou a gostar de literatura, apesar disso, estudar mesmo só nas aulas presenciais, porém fazia os deveres de casa sem dar trabalho. Tirava boas notas e nunca repetiu de ano. Passou no primeiro vestibular, sendo que, na verdade, o curso não foi escolha sua e, sim, minha, pelo desejo que eu tinha que a sua profissão correspondesse às características da sua personalidade – calma, inteligente, discreta e confiante. Ela é daquelas pessoas que não hesita diante do que se apresenta como possível de ser feito. É de agir, não de esperar.

Ao final de sua fase de adolescente ingressou na Universidade, no curso de Enfermagem, em Mossoró/RN, e, um ano depois, para me acompanhar no meu doutorado, em Florianópolis/SC, submeteu-se a um processo seletivo, foi aprovada e ingressou no mesmo curso na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde foi estagiária no Hospital Universitário (HU). Formou-se, cursou pós-graduação, fez concurso público, foi aprovada, também obteve aprovação em seleção de empresa privada, portanto, logo começou a trabalhar e exerce, até hoje, sua profissão, com dedicação e compromisso com o servir e cuidar de pessoas.

Kelly Luciana, ou Kelinha, como a chamávamos, e ainda a chamamos quando queremos lhe fazer um mimo, saiu do Nordeste para o Sul e, em Florianópolis, fez sua nova morada, porém nunca deixou de, anualmente, visitar suas origens, sua família e seus amigos. Aprendeu a fazer roteiros de viagens e tornou-se uma excelente companhia, inclusive para seus pais, proporcionando-os belíssimos itinerários turísticos. Com planejamento, aproveita suas férias e, com habilidade de garimpar pontos turísticos, conheceu diferentes estados brasileiros, cidades, lugares pitorescos e belíssimas praias.

Durante suas fases de transição, entre menina, adolescente e adulta, teve a oportunidade de morar em três capitais de três regiões do Brasil. Por isso também, tornou-se uma linda jovem, decidida, com escolhas próprias, base para a consolidação de personalidade forte, disposta a fazer escolhas e tomar decisões, comprometer-se com o que se determina a fazer, como exemplo, morar em uma ilha no Sul do país e escolher se casar em outra ilha – Fernando de Noronha/PE. Ela mesma quem preparou tudo, e presenteou familiares e amigos com uma cerimônia linda, festas animadas e passeios inesquecíveis naquele lugar paradisíaco.

Aquela menina meiga é, hoje, uma linda mulher, forte e independente, elegante e discreta, com hábitos simples, de muito bom gosto, com habilidades para planejar e organizar eventos familiares, e os faz com muito esmero, além de ser uma boa companhia. É parceira de todas as horas, claro, com suas exigências, ao seu tempo e ao seu modo.

Esta pessoa de quem falo com amor é minha terceira filha, que fez opção de ser servidora pública exemplar, portanto, dedicada à sua profissão, sem vaidades ou ambições, e que desempenha seu cargo e as suas funções, conquistados por mérito e competência, com uma maestria que se revela digna de admiração e respeito.

No campo afetivo, escolheu, sem pressa, aquele que seria seu esposo, assumindo uma linda relação amorosa, tornando-se uma esposa e uma mãe carinhosa. Continua sendo, desde sempre, uma filha e irmã maravilhosa, cuidadosa e singela, além de valorizar os laços familiares que fazem unir diferentes gerações. Por isso, tem o respeito e o carinho de todos os seus parentes e amigos.

Que Deus a abençoe, conceda-lhe saúde e vida longa, para que continue contemplando-nos com seu carisma, empatia e honestidade.

Kelly

[1] O nome correto do pássaro é sibite, no Rio Grande do Norte/RN.

DIZEM QUE ELE É O PREDILETO

Quem é mãe sabe que não existe “o filho predileto”. Os filhos têm o amor incondicional dos pais, no entanto, eles nunca são iguais: cada um com sua personalidade, que vai sendo moldada a partir dos princípios de suas bases familiares. Mas, cada um constrói a sua identidade, a sua marca.

O meu segundo filho tem uma personalidade muito parecida com a minha, principalmente na sua forma de fazer e manter amizades; da responsabilidade e compromisso ético com o trabalho; de fazer suas próprias escolhas e tomar decisões, assumindo as consequências; valorizando e agradecendo os acertos e as conquistas.

Ressalto, no Alex Luciano, a sua capacidade de planejar, sonhar e realizar seus desejos, estabelecendo metas possíveis, isto é, dando cada “passo de acordo com o tamanho das pernas”, como diz o ditado popular. E assim, traçando boas estratégias, vem realizando suas conquistas por meio do seu trabalho, celebrando cada uma delas, com gratidão.

Há que se destacar que ele é uma pessoa simples, não tem grandes ambições, se considerarmos a ambição condição normal para quem vive e trabalha em um contexto de sociedade consumista e competitiva. Na verdade, desde muito jovem aprendeu a valorizar o que lhe é importante e necessário, assim, o supérfluo e o luxo não fazem parte do seu estilo. Opta por uma qualidade de vida que inclui, desde o conquistar e manter bons relacionamentos sociais, passando pelo passear e viajar com a família, até o seu tempo livre para aproveitar a vida com harmonia e simplicidade.

Ele é, e sempre foi, desde criança, além de comprometido com o que se determina a fazer, muito detalhista, organizado e exigente. Com o tempo aperfeiçoou outras qualidades, umas até de forma exagerada, como a de ser muito pontual, ao ponto de controlar horários de chegada e saída. Quando se programa para viajar, além de fazer um check list de tudo que julga oportuno levar, de acordo com o objetivo da viagem, todos os seus acompanhantes devem observar as suas orientações, mas, evidentemente, aceita discutir pormenores. No entanto, suas exigências acabam sempre valendo a pena, pois tem bom gosto para escolher os lugares e seus roteiros, incluindo as mais bonitas paisagens do percurso, até as paradas para os descansos. Escolhe, inclusive, as acomodações, incluindo os detalhes, como a idade dos acompanhantes, de modo a definir os melhores passeios e pontos turísticos, tudo com segurança e refinamento.

Existe muitas razões para que eu admire o homem de quem falo, mesmo que não seja surpresa para quem o conhece de algum tempo. Desde criança, talvez pelo fato de ser o único irmão em meio a três meninas, tornou-se um gentleman, respeitoso, disponível para ajudar e parceiro.

Quando ainda era menino despertava a admiração das pessoas por causa de ele, quando fazia algumas peraltices – as normais para a idade -, se algo saísse errado, era o primeiro a assumir e contar para nós, seus pais. O engraçado, nesses momentos, eram como ficavam suas mãozinhas: para trás ao contar os fatos. E, sempre quando fazia isso, já sabíamos que alguma coisa dera errado, justamente pela forma como se portava, firme, porém, com os olhos piscando. E ficava ali como se esperasse qual castigo lhe seria dado. Então, desde sempre não sabe mentir. É sincero.

Pelo fato de como se deu sua criação, aprendeu, desde cedo, a cuidar de suas roupas, organizar seu quarto, e de seus poucos brinquedos, que eram guardados tão logo acabasse a hora de brincar e ter de ir fazer seus deveres escolares. Aprendeu a ajudar nas tarefas domésticas e, até hoje, faz isso com muito esmero. O detalhe é que cozinha muito bem. Recebe, amigos e familiares em sua casa, com atenção e simplicidade.

Um de seus hobbies favoritos é pilotar moto, fazer trilhas com amigos, sair para longos passeios aproveitando as belezas naturais. Faz parte de seu estilo zelar o carro e a moto, e este quesito é hereditário, vem de avô e do pai. Cuida de seus objetos pessoais, sendo, inclusive, ciumento, uma das características de pessoas exigentes e organizadas, isto é, ele valoriza cada aquisição pela qual se empenhou. Eu o respeito por isso.

O Alex optou por fazer o curso técnico, ao término do seu ensino fundamental, já sinalizando que queria escolher uma atividade profissional que o capacitasse e, ao mesmo tempo, pudesse lhe oportunizar mobilidade no mercado de trabalho. Submeteu-se a seleção em uma escola técnica, em Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte, sendo aprovado. Nessa época, tinha ido de férias para o Nordeste, já que morava no Sul, acompanhando-me no meu mestrado.

Assim, diante de uma nova situação, resolveu ficar na sua cidade natal e, durante o curso foi selecionado para estagiário, por um programa, na época, em parceria do Instituto Euvaldo Lodi (IEL)-RN e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Foram dois anos de um rico processo de aprendizagem.

No ano de 2000, voltou a morar em Florianópolis/SC, onde fez Faculdade de Marketing, e, mais uma vez, foi estagiário logo no primeiro semestre do curso, o que contribuiu muito para o seu desenvolvimento profissional. Ao concluir o curso, teve o seu trabalho de conclusão aprovado para apresentação em um Congresso Brasileiro de Administração, no qual também participei. Foi um momento de celebração de nossas competências acadêmicas.

Tão logo se formou, participou de seleção no mercado de trabalho, sendo aprovado, tendo tido uma larga experiência na AMBEV, por dez anos, depois mais quatro anos na empresa 3 corações. A escolha de seu atual trabalho foi feita a partir de uma tomada de decisão: passar mais tempo com sua família e ter melhor qualidade de vida. Ah! Considera que o salário é essencial, contudo, não é o elemento mais importante em uma opção por um estilo de vida.

Após a segunda estada em Florianópolis, no início deste século (2000), não mais retornou para morar em sua cidade de origem, no entanto, em suas férias, o Nordeste ainda está incluído como um de seus destinos turísticos, onde faz questão de rever os amigos e seus familiares.

De modos que tenho um único filho homem, por isso dizem que ele é o predileto. É casado, pai de meu terceiro netinho, um esposo amoroso e um pai que dedica todo seu tempo, carinho e dedicação na educação do filho, chegando a nos surpreender por sua capacidade de cuidar e educar uma criança, nesses tempos modernos. Ah, não posso deixar de dizer que ele é o único dos filhos que ainda me pede a bênção, até pelo telefone.

É, como dizem, tenho muita sorte de ter um filho maravilhoso, que além do amor e respeito, tem-me muita atenção e carinho. Por tudo isso, muito me honra ser sua mãe, especialmente, pela sua polidez de caráter, mesmo reconhecendo que, assim como todo ser humano, carrega também seus defeitos. Entretanto, igualmente a mim, sabe reconhê-los e minimizar os impactos das atitudes que possam causar insatisfação a alguém.

Admiro seu jeito, nem sempre sereno de ser, cujas virtudes me fazem dizer: eu te amo filho, assim como amo suas três irmãs, que também o amam e, certamente, são por ele amadas.

Que Deus o abençoe, proteja-o e ilumine os caminhos por onde ainda vai trilhar muitos anos de sua vida.

Alex e familia