Eu quero

Quero, como sempre quis
– nem mais nem menos -,
uma vida para ser feliz.

Quero do sol ver seu brilho
Da lua o prazer de admirar
Do mar quero ouvir o sonido
E do vento o seu assobiar.

Quero ver flores no jardim
Sentir o aroma do jasmim
Apreciar as flores do hibisco
E com o beija flor me encantar.

Da vida quero saber
Como faço para aprender
Não esquecer de viver
E lembrar de agradecer.

Quero ser sempre melhor
Fazer para merecer
Ter motivos para sonhar
E sonhos para realizar.

Quero continuar a ser eu
Aprender e compartilhar
Ter tempo para viver
E o desejo de amar.

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VIDA É AMOR

Vivo a vida com amor
Com amor construo pontes
Pelas pontes da vida caminho
E nelas encontro os amores

Com amor faço laços
Aprendi que eles enlaçam
E, sem apertar ou prender,
Aconchegam meu abraço

Sinto cheiro de amor
No perfume da flor
Vou seguindo meu caminho
Trilhando sem medo da dor

A vida me ensinou
Aprendi vivendo assim…
A vida me cativou
Aprendi o que é o amor.

SOU ASSIM

Tenho pressa de viver, mas não quero morrer agora. Então, por que a pressa?

Quero perfeição, mas reconheço que sendo humana não poderei ser perfeita, pois faltaria o sentido de humano de um ser imperfeito, inacabado, pois quando acaba a busca, morre-se.

Sou incompleta porque senão o processo de aperfeiçoamento e aprendizagem não será contínuo e sistemático.

Penso para o hoje, mas também para o amanhã, o passado ficou lá atrás, parte dele não quero de volta, em outras coisas quero melhorar, fazendo-as de forma diferente.

Sou feliz porque estou viva, isto é motivo para reconhecer que a felicidade é abstrata, de concreto temos a vida como ela é, aquela que se constrói e reconstrói com as ferramentas que se adquirem no dia a dia.

Tenho saúde, mas às vezes me sinto ou fico doente, busco a cura, ser e me manter saudável é condição de escolha, de decisão, às vezes de renúncia, sacrifícios e esforços.

Sou inquieta, e nessa inquietude partilhei muitas experiências, conheci e morei em diferentes cidades e estados brasileiros, assim me descobri e redescobri em situações simples e, em outras, complexas, mas em cada uma delas encontrei motivos para aprender.

Reconheço-me impulsiva, às vezes cautelosa, ambas situações me causam perdas e ganhos, tive oportunidades em que alcancei a sela do cavalo; noutras, perdi o momento “certo”, mas continuei na estrada da vida, atenta às novas possibilidades…

Sou tímida, sento no fundo da sala, mas já pisei em muitos palcos da vida com determinação e desenvoltura, busco a segurança e o equilíbrio, sei que são essenciais.

Na maioria das vezes me sinto corajosa, capaz de enfrentar e vencer desafios, no entanto, sou medrosa, tenho medo da solidão, principalmente a desacompanhada.

Acredito, tenho Fé, mas sou meio São Tomé, espero as coisas acontecerem para crer.

Confio nas pessoas desconfiando, pois podem haver mudanças no percurso, mesmo que o lado bom da credibilidade também exista, mas me permito reconhecer que as falhas humanas são inevitáveis.

Sou assim, ainda em processo, mas me sinto bem, com muitas dúvidas, perguntas sem respostas, preciso de mais tempo para encontrá-las, mesmo que provisórias.

AS PESSOAS E SUAS ESSÊNCIAS

“O essencial é invisível aos olhos”.
             (Antoine de Saint-Exupéry).

Pessoa, gente, indivíduo, criatura são referências ao ser humano, portanto cada um é dono de personalidade ímpar, com qualidades, virtudes e
defeitos, moldada segundo os pilares de sua gênese.

Aprendemos desde criança que devemos respeitar as individualidades com que cada pessoa pensa e age de acordo com sua noção de certo/errado, moral ou imoral, bom/ruim, bonito/feio… sendo que o que a define é a base de suas convicções definidas/construídas por princípios éticos e de referência moral.

Simples, conceitualmente, esperamos ou desejamos que as pessoas ajam com respeito, mas na prática… Há tendência de as pessoas, muitas vezes, definirem as outras pelo que elas aparentam ser, como elegantes e educadas pelo visual, às vezes se atribui até nível de felicidade, geralmente medido pelo ter, assim – fulano é muito feliz, tem isso, mais aquilo –, esquecendo que o ser humano é incompleto, imperfeito.

Existem pessoas que são elegantes nos gestos, na postura, no trato com as outras, respeitando as faixas etárias ou nível socioeducacional. Observo com carinho as pessoas que se curvam diante de uma pessoa idosa em sinal de respeito, que se abaixam para falar com uma criança, que usam a linguagem adequada para manter interlocução com pessoas não letradas, surdas…

Particularmente, aprendi que há pessoas bonitas porque são humildes, solidárias, inteligentes, que têm um bom caráter, mesmo sem padrões estéticos definidos a priori. Há beleza em pessoas de estatura alta, mediana e abaixo de 1,50cm, mas são pessoas competentes, que pensam e agem, geralmente, em prol do bem-estar da sociedade.

Admiro pessoas educadas, cordiais e simpáticas, que expressam sorrisos sinceros com delicadeza e afeto. Apaixono-me por aquelas que sabem olhar, que não apenas veem, os que enxergam a natureza das coisas como elas são e não como pensam que deveriam ser; as que percebem detalhes, destacando o belo, o inusitado, o essencial.

Aplaudo as pessoas de caráter porque são honestas, éticas e comprometidas com o que está afeito ao convívio em sociedade, que têm prazer em zelar pelo que é público, o que entendo como forma legítima de compartilhar responsabilidades e ser cidadãs.

Reverencio as pessoas que não julgam os outros, respeitam e reconhecem os limites de cada ser, aprendem com a vida que os seres humanos são inacabados, em contínuo processo de aperfeiçoamento, e reconheço que as pessoas boas, de fato, usam sua capacidade de escolha e decisão para serem melhores, para si e para os outros.

Amo as pessoas que vivem o hoje, com tempo para contemplar o essencial.

ESCOLA E FAMÍLIA: QUAL O PAPEL?

Na condição de mãe e professora, muitas vezes sou questionada sobre qual é o papel da escola e da família na educação das crianças da sociedade atual. O que me remete a pensar que há algumas décadas, isto no século XX, era do conhecimento de ambas as instituições o que cada uma fazia na atividade de educar/ensinar.

Para responder ou encaminhar o diálogo, geralmente pergunto qual é o seu conceito de família, já que há compreensões e aceitações diversas do que se constitui família na sociedade contemporânea.

Na minha compreensão, assumo a definição de família como um grupo de pessoas com algum tipo de parentesco (natural ou adquirido) que se amam e se respeitam, que vivem na mesma casa, ou não, perto ou longe, mesmo assim mantêm relação de afeto, compreensão e apoio, quando necessário. Exemplo: minha família.

Pela instituição formal “escola” uso a definição de um ambiente onde a criança vai ser acolhida por pessoas (professores, gestores e pessoal de apoio) que, usando de meios (aulas, brincadeiras e outras atividades escolares, esportivas e culturais), irão participar do seu desenvolvimento, oferecendo formação intelectual e preparando-a para o exercício da cidadania.

Com base nessas definições, procuro entender os papéis de cada uma dessas instituições no processo de educar/ensinar.

Assim, com esse entendimento, o papel da família é, em primeiro lugar, cuidar, com zelo e afeto, carinho, atenção e amor, dedicando tempo para partilhar com a(s) criança(s) as lições necessárias para a vida em sociedade, como: respeito, solidariedade, amizade, justiça e ética, ou seja, virtudes que cobramos da sociedade.

Acrescento ainda que é no ambiente familiar que se deve ensinar sobre limites e possibilidades, mostrar com exemplos a importância do sim e do não, da diferença entre autoridade e autonomia, e explicar o que significam direitos e deveres.

Dito com outras palavras, é papel da família educar com base em princípios da ética e da moral.

Já o papel da escola é firmar esses valores, acolher as crianças, acompanhá-las nos diferentes estágios de desenvolvimento, desde a fase de alfabetização no tempo e idade certa, ensiná-las os conteúdos básicos de cada uma das matérias do currículo escolar, usando métodos compatíveis com o conteúdo e contexto do saber.

Portanto, o papel da escola é ensinar a aprender e a desenvolver competências e habilidades, que se transformam em curiosidades num processo contínuo e sistemático de aperfeiçoamento.

CONVERSA SOBRE MÃE

Se há parâmetros para comparar coisas boas com aquelas que são insubstituíveis, incluo conversa com a mãe.

Do que mais sinto falta de minha mãe (já falecida) é das nossas conversas. Nem sei como começavam, só sei que eram boas, gostosas, às vezes longas, mas sempre importantes, mesmo aquelas em que dávamos gargalhadas, inclusive de nós mesmas. Também não lembro que idade tinha quando começamos a conversar, mas não esqueci as lições que ficaram e servem para hoje replicá-las com meus filhos.

Em nossas conversas, nem sempre assumíamos a mesma opinião, mas havia respeito ao ponto de vista de cada uma. Na verdade, ela era proativa no seu tempo, e eu a admirava por isso. Acompanhava as mudanças culturais, sociais e econômicas com contemplação, adequando-se e destacando o lado bom. Ah, se ela vivesse nessa época da modernidade tecnológica certamente, mesmo idosa, seria curiosa, contemplativa das novidades.

Reconhecendo que ela viveu em um tempo em que o respeito, a postura e os princípios éticos e morais eram basilares para a formação das pessoas, nas nossas conversas se preocupava em me ensinar a como viver em sociedade. Lembro-me da lição sobre ética: “não faça aos outros o que não quer que façam a você” e “trate todas as pessoas como pessoas, respeitando-as como quer ser respeitada em todas as fases de sua vida, da infância a velhice”. E assim foi sua vida, rodeada de pessoas de todas as idades que queriam conversar com ela, pois em meio à sua serenidade, era uma pessoa muito divertida. Sabia ouvir.

Minha mãe era uma mulher simples, mas vaidosa, alegre e tímida, fazia amizades no primeiro encontro, era cativante, e eu me surpreendia com a sua capacidade de realçar o lado bom de cada pessoa e de cada fato que ocorresse em sua vida. Ela ria da vida, parecia adivinhar que a sua existência seria breve, talvez, por isso mesmo, foi intensa no seu papel de mulher, de mãe, de amiga, de companheira.

Nas conversas com meus filhos, procuro reviver e repassar os mesmos sentimentos compartilhados nas conversas com minha saudosa mãe: de satisfação com a vida. A minha e a deles, por isso o zelo, o cuidado, o afeto e o desejo de proteção, realçando aspectos que não mudam com o tempo, e que na vida para ensinar é necessário aprender, para dar exemplo é preciso ser exemplo, reconhecer quando errar e ensinar a não cometer os mesmos erros, mas ensinar a não ter medo de enfrentar desafios, pois são eles que nos move.

Nas conversas de mãe, repito, a importância de praticar as virtudes da ética, da simplicidade, da humildade e da gratidão, foram elas que moldaram minha vida.

A conversa entre uma mãe e um filho é um presente que vem numa caixa de amor, embrulhado em papel decorado com carinho e cuidado, selado com laços de afeto e atenção.

MUDANÇAS IMPREVISÍVEIS

O mundo contemporâneo passa por rápidas e imprevisíveis mudanças, a ponto de quem não nasceu no século XXI ser saudosista por lembrar fatos e fenômenos ocorridos há apenas quatro décadas, não mais usuais, em decorrência das inúmeras transformações tecnológicas e sociais que tiveram rápido avanço neste século.

Há, logicamente, aspectos positivos e controversos. Na sociedade moderna a velocidade e o volume de informações parecem incompatíveis com o tempo de absorção do conhecimento novo. Se décadas atrás uma determinada invenção demorava anos para ser aprovada e consumida, na atualidade não temos tempo de experimentar uma novidade, de repente se dá conta de que já era, avançou, modernizou, muitas vezes não foi possível sequer aprender todo o seu processo dentro desta dinâmica metodológica.

Alguns avanços ainda não foram bem recebidos por parte da sociedade, a exemplo do excessivo uso das tecnologias da informação e da comunicação (TIC’s) no processo educacional, com rápidas atualizações em curto espaço temporal, um contratempo para aqueles que nasceram no século XX, em que o processo de aprendizagem tecnológica é mais lento, diferentemente de quem já nasceu neste século.

É neste contexto que está se dando o processo ensino e aprendizagem. Os alunos que estudam na educação básica e grande parte na educação superior nasceram no século XXI, portanto, na Era da Comunicação, e os professores nasceram e se formaram no século XX. Enquanto os alunos convivem e “aprendem” com o apoio de novas tecnologias, notadamente com buscas na internet sobre informações de qualquer tema, os professores buscam “aprender” a usar as tecnologias, esquecendo, às vezes, da importância de selecionar conteúdos básicos, importantes para a construção de saberes. Um, procura rapidez na informação (e comunicação); e o outro, busca meios de ensino não necessariamente consistentes ao processo de aprendizagem/conhecimentos.

Neste cenário, faz falta o tempo de aprender a aprender, importante e necessário para uma formação sólida, capaz de construir argumentos e não apenas comentários sobre diversos temas.

Há famílias com dificuldades de ajudar os estudantes nos deveres escolares porque as metodologias utilizadas primam mais pelos meios do que pelo fim – a aprendizagem e, nesses casos, a criança aprende o superficial e não o essencial para o seu processo de desenvolvimento intelectual, humano e, posteriormente, de qualificação profissional

Há queixas dos professores de que os alunos não têm base para acompanhar, com o desempenho desejado, no tempo e idade certa, as diferentes etapas da aprendizagem, e os estudantes estudam conteúdos desinteressantes para a prática. O mercado também reclama da falta de profissionais competentes.

Assim sendo, conclui-se que os avanços tecnológicos promovem mudanças imprevisíveis.